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Atividades sobre a história, a cultura, a arte, a gastronomia e a linguagem indígena e sua importância em nossa sociedade

Os professores e alunos do IFAM/CMA realizaram uma significativa atividade sobre o tema “Sateré-Mawé: os filhos do guaraná”.

No sábado letivo (14 de abril de 2018), ocorreram várias atividades que destacaram o indígena e sua contribuição histórica e social na formação do povo brasileiro. Neste ano de 2018, faz uma década que foi sancionada a Lei 11.645/2008 que torna obrigatório o ensino da história e da cultura Afro-brasileira e indígena no currículo escolar da educação básica e superior, principalmente, nas disciplinas: História, Literatura e Artes. Além do cumprimento da Lei, os professores e os alunos expuseram seus trabalhos desenvolvidos em sala de aula, em projeto de extensão e em pesquisa científica.
publicado: 17/04/2018 20h57 última modificação: 19/04/2018 09h10

 

Neste ano, o professor Anndson Brelaz de Oliveira presidiu a comissão formada por professores responsáveis pela organização do evento. Destacaremos, abaixo, as atividades que segundo muitos alunos foram muito produtivas, destacando conhecimentos que eles tiveram oportunidade de ter acesso pela primeira vez em sua vida escolar e social.

No auditório ocorreu a abertura do evento pelo Diretor Geral em exercício, Carlos Roberto de Oliveira e pelo Diretor de Ensino, Adilson de L. Lopes Júnior em que foi formalizado o início dos trabalhos e a relevância do tema desenvolvido neste dia. O evento contou com as seguintes atividades:

Apresentação Cultural

Os professores Ana Cristina Sales Dibo, Afrânio de Lima Carvalho, Vanderlei Antônio Stefanuto e Cristiano Gomes do Nascimento destacaram as modalidades artísticas: música e dança com os alunos dos cursos de Administração e Informática em que foi desenvolvida uma coreografia sobre a toada “Lamento de raça”, a fim de tratar uma reflexão ambiental, social e cultural tão relevante no contexto histórico em que vivemos.

 

Apresentação do documentário “Guaraná Olho de Gente”

Os professores Anndson Brelaz e Melissa Michelotti Veras socializaram este importante documentário para que nossos alunos pudessem compreender a simbologia por trás do formato do fruto do guaraná, oportunizando saberes que fortalecem a identidade da etnia Sateré-Mawé e sua influência na cultura local. No final, houve perguntas e resposta (com base no documentário) em que os alunos presentes puderam fazer seus questionamentos.

 

Mesa Redonda: “Sateré-Mawé: os filhos do guaraná”

O professor Anndson foi o mediador desta atividade em que se tratou uma reflexão sobre a etnia Sateré-Mawé com o Arthur (Sateré-Mawé e Chefe da FUNAI), Tuxaua Samuel (Presidente da TUMUPE – Associação dos Tuxauas). Neste debate, destacaram-se aspectos sobre os costumes e as tradições da etnia como o /sapó/ (guaraná em bastão ralado na pedra queimada ou língua de pirarucu em que se coloca o pó em uma cuia com água em um suporte de cipó chamado de patawi. Na tradição da etnia, somente quem rala o guaraná em bastão para o ritual é uma mulher, pois ela simboliza a fertilidade e, em seguida, o tu’isa ou o chefe da casa que inicia o ritual que só pode terminar em par, ou seja, duas vezes, quatro vezes... Segundo alguns sábios da etnia, antigamente, tomava-se o /sapó/ para a realização das conversas coletivas sobre os feitos e narrativas orais do grupo. Então, ficou simbolizado o uso da palavra fortalecida ao se tomar o /sapó/). Na apresentação da mesa redonda havia uma senhora Sateré-Mawé ralando e preparando o /sapó/ para os alunos compreenderem está importante cultura imaterial do grupo.

A senhora que estava ralando o /sapó/ falou sobre o preconceito que ainda se faz presente entre os não índios, principalmente, na escola e na universidade. “Acabamos omitindo nossa origem e identidade para não sentir o preconceito que existe quando alguém descobre um indígena na sala de aula. Muitas crianças e jovens que saem das comunidades e vêm estudar aqui na sede de Maués sentem vergonha de mostrar suas origens. Por conta do preconceito que ainda é muito presente no ambiente escolar.” Esta reflexão é um lema que impulsiona nós, professores do campus Maués, em nossas atividades de ensino, pesquisa e extensão, a fim de descontruir essa imagem tão negativa que o colonizador trouxe com ele e que, infelizmente, muitos ainda assimilam tanto preconceito com os indígenas e os africanos. O nosso trabalhado com estas gerações de adolescentes e jovens, com certeza, mudará, no futuro próximo, esta visão estereotipada do indígena e esse preconceito será apenas uma história ruim que já se passou. E vamos IFAM campus Maués trabalhar e conscientizar sobre a importância dos indígenas em nossa história e em nossa vida cotidiana. Para que eles possam ser o que são tanto nas comunidades indígenas como na cidade.

Apresentação “Arvores para Pensar: as metamorfoses da canoa”

O pesquisador Costantino Nicolizas tratou sobre o meio de transporte tão comum para os indígenas, pois faz parte de sua arte assim como o arco e a flecha e traz uma simbologia muito presente em sua identidade cultural. As primeiras canoas construídas pelos indígenas que ainda é, comumente, chamada na região de (casco), sua construção é inteira, um bloco de uma única árvore que é tralhado de forma artesanal, sem emendas ou colagens com breu.

 

Exposição:  cultura, culinária e artefatos indígenas

Os professores Afrânio de Lima Carvalho, Vanderlei Antônio Stefanuto, Cristiano Gomes do Nascimento,  Ana Cristina Sales Dibo e Luiz Henrique Cavalcante organizaram com os alunos dos cursos Integrado e Subsequente a degustação da culinária ou comidas típicas dos indígenas como piracuí, tacacá, beju, pé-de-moleque, tucumã, pupunha, suco de frutas nativas e o sapó em que os alunos fizeram uma excelente exposição sobre este ritual. Houve também a apresentação banner, artefato e artesanato indígena do projeto de extensão da professora Darlane Cristina Maciel Saraiva; Além de exposição de pulseiras, colares, pandeiro, peneira, patawí, cocares, arco e flecha, entre outros artesanatos.

Exposição “Beco das Palavras” (palavras de origem indígena utilizadas no português)

As professoras de Língua e Literatura Portuguesa Maria do Socorro Libório dos Santos, Chiara Marque Reis e Vilma de Jesus de Almeida Serra desenvolveram uma dinâmica chamada “Beco das Palavras” envolvendo vocábulos indígenas presentes no léxico da língua portuguesa falado aqui no Brasil.

Segundo as professoras, “as palavras povoam nosso cotidiano, nossa história, nomeiam, significam a vida. Nesta apresentação, vamos perceber o quanto falamos línguas indígenas e o quanto sabíamos e não sabíamos da existência das palavras de origem Tupi e Sateré-Mawé no nosso cotidiano. Um dos nossos desejos é descobrir o que temos em nós, na nossa família, na nossa história, que marcas indígenas existem em nosso entorno.”

 

 

Autoria: Vilma de J. A. Serra